Artista Brasileira Expõe na Holanda

A artista Panmela Castro foi convidada para expôr seu trabalho no Museu Stedelijk, em Amesterdã (Holanda), um dos museus de arte contemporânea mais importantes da Europa. Trabalhando principalmente com graffiti, Castro está conseguindo um sério reconhecimento a nível internacional. Ela foi objeto de uma entrevista publicada pelo RFI no último dia 8 de março, a propósito do Dia Internacional da Mulher.

Ativismo feminista

O ativismo feminista é o principal tema dos trabalhos de Panmela Castro. Recusando o papel tradicional, a artista procura afirmar a reinvenção do papel social da mulher, uma recriação que não parece estar acabada mesmo um século depois de as sufragistas terem enfrentando a força da lei em países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. A aceitação de características não especificamente femininas da mulher, a possibilidade de a mulher se realizar em outros papéis e formatos que não o de dona de casa, tudo isso são temas prioritários.

Doloridade

Um dos conceitos desenvolvidos por Castro é o de “doloridade”, criado por Vilma Piedade. Emprestado da “sororidade”, a união política das mulheres que se vêem como irmãs na mesma luta, a “doloridade” retrata as mulheres que se vêem como irmãs na mesma dor, quando seus anseios de libertação de uma tutela, de autonomia e de independência são combatidos pelo machismo, em geral.

Marielle Franco

Castro foi encarregada de fazer uma decoração para a fachada do Museu Stedelijk, onde criou uma homenagem à deputada carioca Marielle Franco, assassinada em 2018. “Um ano sem resposta” foi o título que lhe deu, antes mesmo da detenção de dois ex-Polícias Militares que estão sendo acusados da autoria do crime.

A artista refere que nem mesmo a arte urbana de rua está livre do machismo; quando começou, muitos achavam que a mulher seria só a namorada do grafiteiro. Panmela Castro esteve em Amesterdã tendo sido convidada para o Mama Cash, um famoso festival feminista daquele país.