Ayéola Moore

Um artigo recente do site Hypeness traz a pintora caribenha Ayéola Moore como tema principal. Vivendo na Bahia há cerca de 10 anos, onde vive com o marido Carlos Moore (poeta cubano), Ayéola conta como a pintura entrou em sua vida e como virou símbolo da necessária emancipação da mulher negra.

Mulher, a Força que Move o Mundo

Esse é o título de uma exposição presente no Museu Afro-Brasileiro de Salvador. Em 24 quadros, a pintora nascida em Guadaloupe, uma pequena ilha no Caribe pertencente à França, mostra a condição da mulher negra: da vitimização e da objetificação do corpo, e da menorização social em geral, ao empoderamento. O racismo, o risco de violação, a simples agressão – e o grito de revolta, de quem diz “basta!”

Pintora tardia

O mais incrível nas telas de Ayéola Moore é o fato de ter começado a pintar apenas aos 53 anos. A energia, a vivacidade, o domínio da técnica junto à emoção que consegue colocar em seus quadros deixariam a entender que está ali toda uma vida ligada à pintura. Não é o caso.

Mas se poderá dizer que Ayéola esteve ligada às artes desde cedo. Dançarina por grande parte de sua vida, sempre viveu com a força da inspiração artística guiando seus passos (literalmente). Sua revelação para a pintura veio pelo conselho de Abdias do Nascimento, um ativista dos direitos dos negros e amigo da (agora) pintora.

Mas tem algo mais que nasceu com Ayéola, com que ela viveu desde o primeiro dia, e que é uma força motriz poderosa em suas telas: o fato de ser mulher e negra. Perspectivar o mundo a partir dessa condição, enfrentando dificuldades e problemas específicos dessa natureza, lhe deu uma imensa reserva do mais poderoso combustível, que só aguardava tela, tinta e pincel para se mostrar.